quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Método Comparativo



Maneira padrão de demonstrar o relacionamento genético entre as línguas. Na Alemanha, o erudito alemão Franz Bopp conseguiu demonstrar as relações de parentesco entre línguas europeias – como o latim e o grego – com outras línguas orientais – como o persa, e, especialmente, o sânscrito, cuja gramática havia sido conservada pelo cuidado com os textos sagrados hindus. 

Bopp então levantou a hipótese de que estas línguas derivariam de uma raiz comum, o indo-europeu, e as classificou como indo-europeias. O indo-europeu divide-se em dois grandes ramos: o asiático (hitita, tocário e indo-iraniano) e o europeu (grego, latim, céltico, germânico, báltico, albanês e armênio).

Com a finalidade de estabelecer a comparação das palavras e estruturas gramaticais de línguas que possuem uma origem comum, o método comparativo permite-nos depreender fonemas, elementos morfológicos ou étimo, não documentados na língua de origem, ou seja, permite a reconstrução das formas desaparecidas. 

O objetivo principal dos comparatistas históricos do século XIX era desenvolver e elucidar o parentesco genético existente nas línguas faladas no mundo. Procuraram, assim, estabelecer as principais famílias de línguas do universo e definir princípios básicos para a classificação dessas línguas.

Entende-se por indo-europeu a língua tronco, pré-histórica, falada há cerca de três mil anos antes de Cristo numa região ainda incerta da Europa Oriental. Daí se espalhou, em virtude de grandes movimentos migratórios, por uma parte da Ásia e uma grande parte da Europa, constituindo amplos grupos ou famílias dialetais. Desses grupos, depreendidos principalmente pelo método comparativo, temos documentadas algumas línguas hoje mortas, como o sânscrito (na Índia), o  velho-eslavo ou eslavo eclesiástico  (nos Bálcãs), o Gótico (também nos Bálcãs), o grego (na Grécia). Dessas línguas uma é o latim, do grupo itálico, cuja existência na região do Lácio, na Itália, está documentada desde o século VII a. C. A essas línguas prendem-se, por filiação direta, ou indireta, as principais línguas modernas  da Europa.

Examinando a estrutura interna das línguas bem como comparando línguas de um mesmo tronco, os linguistas conseguiram reconstruir formas primitivas de uma determinada família de línguas. Uma técnica particularmente eficiente, e ainda não superada, de reconstruir as línguas “mortas” é o método comparativo. Comparando as diversas línguas ou dialetos descendentes, a história linguística de uma família de línguas pode ser parcialmente reconstruída e representada numa árvore genealógica.
Devido às limitações do presente trabalho, deixamos de desenvolver outras características importantes do indo-europeu, tais como: a existência de aspecto verbal, o complexo sistema de declinações, os morfemas reduplicativos e suas funções.


HENRIQUE VIEIRA DE OLIVEIRA.

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