sábado, 9 de novembro de 2013

Mudança linguística

A mudança linguística é um processo de modificação e transformação que todas as línguas em geral experimentam - e as unidades linguísticas de cada um dos seus níveis, em particular -, na sua evolução histórica.
Podemos perceber a mudança linguística quando comparamos textos antigos com a escrita atual; ou quando falantes de gerações, ou classes econômicas, ou culturas diferentes se encontram e começam a dialogar. Estas situações revelam que a língua está constantemente passando por transformações, ou seja, “que estruturas e palavras que existiam antes não ocorrem mais ou estão deixando de ocorrer; ou então, ocorrem modificações em sua forma, função e ou significado” (Farraco,1991, p.10). O autor aponta ainda algumas características da mudança linguística. Esta é contínua, lenta e gradual, e relativamente regular. E, relata que para de fato uma variação linguística tornar-se uma mudança ela deve ser aceita na oralidade por toda comunidade de falante e “passar” para a escrita.
A mudança linguística se diferencia da variação linguística. Enquanto na mudança linguística, as modificações são diacrônicas - e, portanto, são objeto de estudo da linguística histórica. Já as variações linguísticas são sincrônicas e constituem o objeto de análise da sociolinguística, entre outras disciplinas.
Muitas teorias sobre a mudança linguística foram propostas. Mas nenhuma delas dá conta de todos os fatos. Não existindo uma teoria da mudança linguística que trate, apenas, dos fenômenos de uma língua particular. Vale lembrar, enfim, que os termos linguística histórica e linguística diacrônica são outras denominações para a teoria da mudança linguística.
Nesse contexto é útil distinguir entre a história da língua que investiga o desenvolvimento das línguas particulares e a teoria da mudança linguística que se ocupa dos aspectos universais desse fenômeno.
De certa forma a linguística histórica exclui, da teoria da mudança linguística, uma parte que, atualmente, chama muito a atenção dos pesquisadores: a mudança linguística em curso, que pode ser observada, no tempo presente, mas que (ainda) não pode ser vista como parte da história de uma língua.
Com o fenômeno da mudança surge, também, o problema da identidade de uma língua, pois apenas é possível falar de mudança se uma variedade consegue manter uma certa identidade dentro da história e do espaço.
Convém mencionar, ainda, os processos de mudança linguística que têm sua motivação dentro do sistema linguístico, como a motivação fonológica de manter ou aumentar certos contrastes no sistema e a motivação de realizar certas regularizações fonológicas e morfológicas.
No âmbito da teoria da mudança linguística, um ponto central de discussão encontra-se na procura das causas da mudança linguística. De um lado, convém perguntar pelo papel da causalidade no contexto da formação e na adoção gradual de inovações. Do outro, observa-se que as variações/inovações que surgem no contexto da atividade comunicativa e na realização de uma determinada intenção comunicativa têm uma base que pode ser determinada e justificada pela finalidade.
Desde o início do estudo dos processos de mudança linguística, acreditou-se que há uma ligação íntima entre a evolução e a mudança em geral. No século XIX, tentou-se interpretar os desenvolvimentos gerais e os processos de declínio da cultura no sentido de dar contextualização sócio-histórica aos desenvolvimentos linguísticos.
O estudo científico da mudança linguística ocupou-se até hoje, principalmente, da mudança nos diferentes níveis e posições hierárquicas do sistema linguístico. Todos esses tipos de mudança dizem respeito à langue, no sentido estrito. As mudanças linguísticas que pertencem mais à parole e que afetam o conhecimento linguístico dos falantes individuais ou de grupos de falantes são, raras vezes, incluídas e quando são consideradas, são analisadas apenas, de passagem. Dentro do espectro das condições que determinam o desenvolvimento de uma língua, é possível, também, ver, de modo semelhante, as mudanças específicas que ocorrem nas diferentes gerações de falantes. Nesse tipo de mudança, pode-se observar que, na produção linguística de falantes em diferentes períodos da vida, a porcentagem de formas padrões e dialetais mudam de uma maneira típica. É verdade que, nesse processo, não se trata de uma mudança permanente e de caráter linear que altera partes do sistema linguístico, mas, no estudo sociológico dos processos de mudança, também é comum considerar, ao lado da mudança linear, os processos da mudança cíclica.
A mudança linguística realiza-se, também, na comunidade linguística. Portanto, o sistema das variedades típicas para uma comunidade linguística também deve ser incluído.
Quando se fala em mudança linguística, é comum dividir o processo total da mudança em fases ou processos parciais; a saber, delimita-se, primeiramente, a fase da formação da variação; em segundo lugar, discrimina-se a fase da seleção da variação e da formação de inovações; e, em terceiro lugar, descreve-se como, no processo final, a inovação é implantada no sistema linguístico, no conhecimento linguístico e na comunidade linguística, ou, em caso contrário, como se passa a inversão desse desenvolvimento quando os falantes ou certos grupos de falantes resistem a essa mudança.
Os processos de generalização de tais inovações podem ser descritos em três níveis diferentes que são: no nível da langue, no nível do conhecimento linguístico dos falantes individuais e, finalmente, no nível da comunidade linguística.
Desse modo, as variações que, devido à variação inerente à língua ou devido à variação funcional, apareceram em complexas e densas redes sociais que assumem, regularmente, o caráter de um marcador para a identificação social do grupo no qual elas surgiram. Nas redes mais simples e mais abertas, nas quais a orientação pela ascensão social pode ser importante, é possível que essas mudanças sejam provocadas por variações induzidas pelo contato com sistemas vizinhos de prestígio, por exemplo, com o sistema da língua padrão. Encontra-se aqui, certamente, um fenômeno sociolinguístico muito importante e altamente significativo para a teoria da mudança linguística.

Nenhum comentário:

Postar um comentário